quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Encontro com o poeta.

Encontrei o poeta assim, por acaso. Como quase sempre nos encontramos...

É um sem querer sabendo que já passa da hora. É uma felicidade mútua e inesperada, nem sempre duradoura, que simplesmente ocorre numa dessas manhãs de hospício.

Diz que quer ver ela e sabe que isso mexe comigo. É tão natural que não ouso interromper, afinal, pra que servem os poetas?

Provoca-me à altura do seu talento. Está feliz de me ver, e à certa altura confessa uma vontade de chorar. Com algum esforço se segura e se condena, o sábio poeta parece não saber que, às vezes, é preciso.

Fala da vida, de suas emoções, pergunta da minha, e fazemos de tudo pra não conversar. Não sei se seriamos mais sinceros se esta fosse a intenção.

Subitamente, me lembra um trecho de música e, definitivamente, mostra que nunca estaremos seguros perante os poetas. Depois simplesmente levanta e vai, assim, "poéticamente".

Sabe que mora no meu coração, mas desconhece que prendeu no peito a unica coisa que poderia me ensinar...

sábado, 6 de novembro de 2010

Clareou

Clareou... simplesmente.
Não que tenha sido fácil,
o sobejo da loucura cura apenas quando arde.

Também do fato de sempre acreditar,
precisamos um pouco
deste eu surdo e louco para sobreviver.

Deixo o tempo tomar seu rumo,
e permito-me olhar para os erros,
Agora, clareou, e até os meus aparecem...


domingo, 3 de outubro de 2010

Tão pequenos.

Grande Mar,
somos tão pequenos,
que freqüentemente sonhamos que o fim nunca termina...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Porque a fé não é de faiá.

Meu menino chega triste
Veio de fora trazendo o sabor das lágrimas
Da desilusão

Conta que conheceu a fome
Conta que conheceu o frio
Vejo que tambem conheceu o medo

Lembro da fé que embalou seus planos
E da fé que sempre embalou os meus
Podemos até errar em acreditar
Mas sem fé não se aprende nada...

Continuo tendo fé no meu menino
E ainda acho que ele diz a verdade
Quando afirma que a fé não é de faiá.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Irreversível

Não se volta atrás.
A sinceridade é o que torna inevitável,
Se não te minto, não é por que não te ame,
Apenas não posso existir negando
Que a alma é irreversível.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O louco é você

Depois, o louco é você...

Estão tão habituados à insanidade
à disputa
ao poder
que tudo parece normal
dizem que o ser humano é político,
e que grandes políticos nos governam...

Resta o mais difícil...
Não se iluda,
crer,
deve ser intrínseco.



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Merda no ventilador

Embora saiba que não é recíproco,
e que parece loucura,
jogo merda no ventilador.
e todo mundo sai mais limpo...

sábado, 12 de junho de 2010

De alma lavada!

Se quer, vá!
E em nenhum momento permita que o pensamento te leve a perder a fé.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Vizinhos

Dei-lhe um beijo na testa.
Sem ligar pro alcóol,
sem atinar para o sexo.
Ao contrário dela que me comia com os olhos...

Em grande parte pela diferença de idades,
Acho que inocentemente não me veio na cabeça.
Me preocupa mais ela pensar que tipo de maluco ela tem como vizinho...
Mas acho que no fundo ela sabe o bem que me fez

Numa noite fria,
Um copo de cerveja,
E um pouco de mundo como assunto de mesa,
Era tudo que eu precisava...

Saí dali me achando o tal.
Só mais tarde percebi-me beijoqueiro...
Humano, enfim.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Solange

Quem diria, quem iria acreditar...
Fui em busca de Solange e quase me perdi
Assim como as historias, os inumeros passados
Solange me chega, com ela a solidão
Um produto artesanal, sem dúvida
Confeccionado nas ilhas de Pasargada
Onde ainda somos humanos...
A experiencia que se vai nos cantos dos sorrisos
Quem diria que Solange estava em minhas mãos?
Quem, ao entardecer, reconheceria...
Onde estão os óculos, a gravata?
A erudição do linguajar polido e juridico da lugar ao Gonzaguinha
Agradar? A quem?
Danço com Solange, um samba desses de arrepiar
Daqueles que as pessoas fingem não ouvir a letra
Com medo de em alguma estrofe serem aprisionadas
Contidas.
Pequenos mundos estupidos, herméticos e babacas...
Sequer reconheceriam a propria alma no espelho
Deixo que solange me diga,
Me mostre seu mundo artesanal
Faço da varanda um quintal
E sigo a trilha invisível
Um caminho pra mim
Um oposto sem fim...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

El Machosapiens

Em mais uma tarde reflexiva,
vejo e entendo parte da alma,
a parte machosapiente.

Sinto o peso da honra.
Da alma de bagos e bagaços.
Não há mesmo como evitar o medo...

A sensação
não apenas faz parte,
ela é!

Não há escolhas ou vivências.
Não existem momentos, imagens ou sons.
Eu já ignoro palavras e verdades.
Vivo a machosapiencia...

E viva a machosapiencia!
Um ode à surda e sábia cegueira da inconsciencia...
E à todas as sutilezas deste sentimento bruto, calmo e cão.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Se não dá certo...

Se não dá certo, pra que mentir?
Não há razão pra mágoas, perdas ou dor,
Apenas algo não dá certo
Pra que fingir?

Não rejeito mais o espasmo,
o susto, o engasgo.
Na verdade o peito já se aperta um pouco,

Já espera,
já sabe...

Antes, muito antes de acontecer...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Artistas

Artistas...
De fato somos.
Não tanto pela arte fazemos,
mas pela vida que temos.

A solidão sempre espreita,
e no tudo compreender restamos incompreendidos,
marcados...
isolados.

Os estigmas do autoconhecimento
São as chagas de um habito profano,
nós "ousamos"!
Com toda a ousadia que o verbo pode ter.

Licença poética?
Nada disso!
Licença é o caralho!

O artista, o invasor,
o invisível,
não se contém.
não se pertence...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Depois...

Acontece em silêncio, depois...
Na memória de uma conversa sobre cavar fundo nas pessoas,
e de outra sobre caminhos com mais coração,
que sorrateiramente, vai embalar teus sonhos...