Encontrei o poeta assim, por acaso. Como quase sempre nos encontramos...
É um sem querer sabendo que já passa da hora. É uma felicidade mútua e inesperada, nem sempre duradoura, que simplesmente ocorre numa dessas manhãs de hospício.
Diz que quer ver ela e sabe que isso mexe comigo. É tão natural que não ouso interromper, afinal, pra que servem os poetas?
Provoca-me à altura do seu talento. Está feliz de me ver, e à certa altura confessa uma vontade de chorar. Com algum esforço se segura e se condena, o sábio poeta parece não saber que, às vezes, é preciso.
Fala da vida, de suas emoções, pergunta da minha, e fazemos de tudo pra não conversar. Não sei se seriamos mais sinceros se esta fosse a intenção.
Subitamente, me lembra um trecho de música e, definitivamente, mostra que nunca estaremos seguros perante os poetas. Depois simplesmente levanta e vai, assim, "poéticamente".
Sabe que mora no meu coração, mas desconhece que prendeu no peito a unica coisa que poderia me ensinar...