sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Assoviando

Todas as manhãs, enquanto fumo um cigarro, meio sarcástico, meio nostalgico, escuto seu alegre assovio. O autor das façanhas musicais é um senhor que hoje beira os 80 anos, o senhor Osvaldo, seu Osvaldo!
Por muito tempo achei graça de seu assovio matinal, recentemente percebi que não conseguia compreender a razão daquilo... o assovio já me dava medo. Ao mesmo tempo era engraçado como uma musica bonita e bem assoviada de manhã poderia me despertar tantas considerações e tantas dúvidas.
Já compreendia o sentido da música, até por esta estar sempre presente em minha vida como compositor, cantor, violeiro e flautista informal. De forma que não conseguia me desprender de que um assovio executado com tal perfeição (cheio de trêmolos e oitavas, como só o seu Osvaldo fazia) pudesse ser desprovido de um sentido. Seria um sacrilégio!
Afinal, assoviar seria um ato de desespero ou de tranquila vadiagem? E por que sempre no mesmo horário?
Hoje, já acho o hábito do meu ilustre vizinho engraçado novamente. Mas óbvio que os medos nunca morrem... Eles apenas transformam-se, e o seu Osvaldo continua em cartaz. Já desisti de tentar, de súbito, entendê-lo, ou ao seu assovio. Na manhã de hoje, ainda de forma engraçada, me veio à mente pensar: - Nossa! Quase oitenta anos! Quantos amores!? Quantas incontavéis e indescritíveis experiências!?

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